nov 14, 2018

Tecnologia é tema de debate em quase todas as reuniões de empresas, independentemente do segmento. E não poderia deixar de ser diferente na área de seguros, mais especificamente no ramo de autos, onde vemos grandes transformações tomarem corpo.

No entanto, alguns tópicos ainda habitam o terreno das grandes especulações sobre sua implantação plena. Tais como veículos sem motorista, conhecidos como carros autônomos, e até modelos voadores.

No caso dos carros autônomos, há muitas questões em debate com relação à sua ampla disseminação, entre elas: as cidades precisam estar totalmente conectadas? Os fabricantes de veículos terão, cada um, seus próprios sistemas de geração e coleta de dados? Os carros precisam estar conectados integralmente? De quem será a responsabilidade no caso de acidentes? Da montadora, do fabricante dos sistemas de conectividade, do proprietário do veículo ou frotista, do poder público? Como resolver a questão da preservação da privacidade das pessoas?

Na mesma esteira, especialistas discutem para onde caminha o transporte por meio de veículos de passeio. Vejo quatro vertentes: conectividade, compartilhamento, carros autônomos e energia elétrica.

Conectividade significa que os carros estarão ligados à internet, gerando dados que podem ser transformados em produtos e serviços. Hoje, um carro já é capaz de gerar 25 gigabytes por hora em termos de dados. Aproximadamente 15% dos veículos produzidos nos EUA já saem de fábrica com todos os recursos de conectividade e a previsão é que esse número chegue a 60% em 2020. (fonte: BI Intelligence).

Sobre compartilhamento, será que estamos nos aproximando do momento em que as pessoas deixarão de querer possuir o bem, no caso, o carro, migrando para a economia do compartilhamento? Para grande parte dos jovens da atualidade a resposta é “sim”. Um estudo da Universidade de Berkley, na Califórnia, estima que o compartilhamento de um carro equivale a tirar de 9 a 13 de circulação, com impacto de redução de até 300% no tráfego.

Os carros autônomos podem ajudar a reduzir drasticamente o número de acidentes, evitando perdas de vidas e prejuízos materiais. Quanto aos carros elétricos, a questão da autonomia das baterias está sendo endereçada e, cada vez mais, teremos a migração de veículos movidos a combustíveis fósseis para seus similares elétricos, colaborando com a preservação do meio ambiente.

Interessantemente, dentro deste escopo, as montadoras estão passando a se posicionar como empresas de mobilidade e não apenas como fabricantes de veículos.

Em termos de captação de dados disponíveis para avaliação e precificação de riscos, há hoje três frentes que estão em vigência: dados e informações que já estão em uso, as que são parcialmente utilizadas em algumas empresas e os intocados, temas mais sensíveis e que exigem maior cuidado para serem inseridos. Diante disso, fica o questionamento: como é possível gerir todos esses dados armazenados de forma adequada?

Atualmente, o que está em uso são questionários de avaliação de risco preenchidos pelos clientes, tais como informações básicas de vistorias, análise de risco de crédito, cotações e sinistros. Já os dados que são parcialmente utilizados nessa precificação seriam os comentários por escrito nas vistorias e sinistros, imagens destes mesmos processos, geocodificação de riscos, transformação de voz em texto, dados públicos e website analytics. Enquanto que os intocados são as mídias sociais, os dados de uso de smartphones, as previsões climáticas, a internet das coisas (IoT), imagens de acidentes e transcrição de conversas por chat.

Isso vai influenciar, inclusive, na atuação do corretor de seguros, que já está em transformação com o passar dos anos e o avanço das tecnologias. O advento de novas perspectivas fez com que todas as categorias profissionais tivessem que repensar sua forma de atuação. Cabe ao corretor assumir o papel de efetivo consultor de risco de seus clientes e não apenas um buscador de preços.

Carros autônomos compartilhados em cidades conectadas levarão a um movimento de proporções sísmicas na indústria de seguro de automóveis no mundo. Farão com que o espaço urbano passe por uma transformação sensacional. Sem contar que, com a ascensão tecnológica e as aplicações, no sentido de prevenção de acidentes, deverão tornar os seguros mais baratos, assim como a capacidade de rastreamento e localização de veículos de forma abrangente. Isso terá impacto na redução das perdas totais por roubo ou furto, permitindo a recuperação do bem.

Vale ressaltar que estudos de companhias de seguro de capital aberto da América do Norte estimam que o volume de prêmios advindos de cobertura para veículos compartilhados comece a ganhar relevância a partir de 2030, quando se presume que este montante chegue a 20% do total de prêmios gerados. Ainda temos um longo caminho pela frente até que os impactos passem a ter efeito na indústria de seguros no Brasil, o que não quer dizer que não tenhamos que começar a nos preparar o quanto antes.

 

Fonte: Marcelo Blay, coordenador da Comissão de Tecnologia do Sincor-SP

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